7. ECONOMIA E NEGCIOS 28.11.12

1. POR QUE O BRASIL NO CONSEGUE BAIXAR A CONTA DE LUZ?
2. A NOVA CAMPANHA DO PETRLEO
3. COMO ESCOLHER A TEV INTELIGENTE

1. POR QUE O BRASIL NO CONSEGUE BAIXAR A CONTA DE LUZ?
Tornar a energia mais barata  uma medida positiva, mas a proposta para reduzir em 20% o valor pago pelos brasileiros enfrenta a desconfiana do mercado e a resistncia das empresas
Mariana Queiroz Barboza

 IMPACTO POSITIVO - Edifcio Copan em destaque na noite de So Paulo: energia barata beneficia consumidores e aquece a economia
 
No  novidade que o Brasil tem uma das energias mais caras do mundo, apesar de a maior parte dela ser gerada por usinas hidreltricas, uma fonte limpa e barata. A queda do preo cobrado pela eletricidade  uma demanda antiga. Por isso, diversos setores da sociedade aplaudiram a inteno do governo de reduzir, em mdia, 20% do valor pago nas contas de luz a partir do ano que vem. A medida  mais uma tentativa de acelerar o crescimento da economia, aumentando a competitividade da indstria, reduzindo a inflao e beneficiando diretamente os consumidores. Como aconteceu no primeiro semestre, quando os bancos foram pressionados pela presidenta Dilma Rousseff a reduzir suas taxas, agora as companhias eltricas reclamam da falta de transparncia e da perda significativa de receitas. Na prxima semana, o prazo para a adeso  proposta do governo se encerra, mas a medio de foras no setor parece longe de terminar.
 
O que a Medida Provisria 579 prope  uma renovao antecipada de contratos de concesso de gerao e transmisso de energia que vencem entre 2015 e 2017. Em troca da queda de preos (16,2% para residncias e de at 28% para grandes indstrias), as empresas no s seriam beneficiadas por uma prorrogao de at 30 anos, mas tambm pelo recebimento de indenizaes por ativos no amortizados  em outras palavras, investimentos que ainda no foram totalmente quitados. Quem no aceitar, vai ter que devolver os ativos  Unio ao final do contrato. O problema  que as eltricas no concordam com os valores oferecidos pelo governo, considerados baixos demais. No caso da Eletrobras, por exemplo, foi proposta uma indenizao de R$ 14 bilhes, menos da metade do que a estatal calculava, mas o equivalente a 70% do que o governo pretende distribuir entre todas as concessionrias. A notcia caiu como bomba no mercado financeiro, que tem castigado as aes das eltricas. As empresas mais afetadas (Eletrobras, Cemig, Cesp, Copel e Cteep) perderam quase 30% de seu valor de mercado desde o anncio da medida, segundo a consultoria Economtica. Mesmo assim,  esperado que a Eletrobras aceite as novas regras.

Com a proximidade do fim do prazo para a renovao antecipada, em 4 de dezembro, Cemig, Cesp e Cteep fazem jogo duro, indicam que no aceitaro as condies do governo e ameaam entrar na Justia pelo direito de renegociao. No setor energtico, no h pequenos interesses, por isso a capacidade de presso  muito grande, afirma Jos Bonifcio Amaral Filho, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ao jornal Valor Econmico que o governo no vai recuar. Vamos cumprir  risca o que estabelecemos, afirmou. No mesmo tom, a presidenta Dilma tem se reunido com lderes do Congresso para garantir que a medida provisria no seja alterada em sua passagem pelo legislativo. O governo tratou o assunto com intempestividade e falta de transparncia, diz Cludio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, observatrio do setor eltrico. Segundo ele, o barateamento da energia poderia ter sido mais agressivo se houvesse mais cortes de tributos e encargos. A retirada de encargos federais, j definida pelo governo, tem um impacto estimado de 7% na diminuio dos preos. Se fosse eliminado o PIS/Cofins, o impacto seria de mais 8,2%, afirma Sales. Alm disso, h um espao enorme para cortar o ICMS, mas infelizmente os Estados veem a conta de luz como uma forma fcil de arrecadar dinheiro.
 
Afetadas pela j esperada reduo de caixa, as empresas temem perder capacidade de investimento e competncia tcnica. Ainda que essas companhias diminuam suas margens de lucro e cortem custos, a tendncia  que elas percam capacidade de gerao de recursos prprios, diz Amaral Filho, da Unicamp. O ministro interino de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, argumenta que as indenizaes podero ser pagas  vista, o que permitiria que as companhias acelerassem seus investimentos. No caso da Eletrobras, o governo no desconsidera a hiptese de recapitalizar a estatal, injetando dinheiro do Tesouro Nacional. Como os banqueiros atestaram, esse governo est realmente disposto a comprar grandes brigas.


2. A NOVA CAMPANHA DO PETRLEO
Governo do Rio convoca a populao para ato contra projeto de lei que redistribui os royalties gerados pela explorao das reservas
Wilson Aquino

 MOBILIZAO - Governador Srgio Cabral e cartaz da campanha O Petrleo  Nosso
 
No final dos anos 40 e incio da dcada de 50 do sculo passado, a campanha O Petrleo  Nosso, que defendia a autonomia brasileira na explorao das reservas, se tornou uma das mais polmicas da histria do Pas. Muitos anos depois, uma nova campanha do petrleo ganha nesta semana as ruas do Rio de Janeiro. Sob o risco de perder bilhes em receitas com royalties e participaes especiais na explorao de petrleo, o Rio promove na segunda-feira 26 o ato Veta, Dilma. Contra a injustia. Em defesa do Rio. Convocada pelo governador Srgio Cabral (PMDB), a manifestao promete levar para o centro da cidade polticos de vrios partidos, alm de artistas e lideranas empresariais. O ato acontece a cinco dias do fim do prazo para a presidenta Dilma Rousseff decidir sobre o Projeto de Lei 2.565, aprovado pela Cmara dos Deputados, que redistribui os royalties do petrleo. Caso a presidenta sancione o projeto, o Rio deve perder R$ 77 bilhes at 2020, segundo clculos feitos por tcnicos da Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Energia, Indstria e Servios do Estado e que tomaram como premissas o preo do barril de petrleo a US$ 90 e cmbio de R$ 2. Os efeitos, especialmente para os municpios produtores, so catastrficos, afirma o secretrio de Desenvolvimento Econmico do Rio, Julio Bueno. H municpios em que os royalties respondem por mais de 60% da receita. De acordo com o governador Cabral, o projeto compromete drasticamente a capacidade de investimento do Estado e at a realizao de eventos como a Copa do Mundo e a Olimpada.

ATO NO RIO - vai reunir polticos, artistas e lideranas empresariais
 
A expectativa  de que milhares de pessoas participem das manifestaes, cuja concentrao acontece s 14 horas na Candelria. Em todo o Estado do Rio foi determinado ponto facultativo. A indstria e o comrcio tambm liberaram os empregados. Da Candelria, os participantes, embalados por trios eltricos, seguem em passeata at a Cinelndia, onde ser entoado o Hino Nacional e haver a leitura de um manifesto, exatamente como ocorreu no ltimo protesto, em novembro de 2011, que atraiu 120 mil pessoas. Em seguida, artistas vo se apresentar. Para facilitar o deslocamento da populao, as bilheterias dos trens, metr e barcas estaro franqueadas. nibus especiais tambm sero colocados  disposio dos manifestantes. So esperadas caravanas do interior do Rio, alm da presena do governador do Esprito Santo, Renato Casagrande (PSB), e do prefeito eleito de Vitria, Luciano Rezende (PPS). O governador Srgio Cabral comandou, na quinta-feira 22, no Palcio Guanabara, uma reunio para mobilizar as foras polticas do Estado e a sociedade fluminense. Acredito que a presidenta Dilma Rousseff v vetar esse projeto, disse Cabral. Ela no vai mexer no que j est contratado e tem argumentos jurdicos para isso.


3. COMO ESCOLHER A TEV INTELIGENTE
Os aparelhos com internet esto se tornando febre no mercado brasileiro, mas  preciso tomar alguns cuidados na hora de escolher o seu
por Fabola Perez

Ouvir msica, assistir vdeos do YouTube, acessar redes sociais, navegar em portais de notcias e jogar videogames com pessoas do mundo inteiro so algumas das atividades oferecidas pelas smart tevs. No  toa, elas viraram febre no mercado brasileiro. De acordo com um estudo divulgado pela empresa GFK Retail Technology, esses modelos j representam quase 20% do volume de vendas do setor. Para efeito de comparao, as televises 3D mal chegam a 5% de participao no mercado. A falta de informao e a diversidade de funes, porm, podem confundir o consumidor no momento da compra. Se antes a escolha do televisor dependia apenas da marca e do modelo do aparelho, hoje essa deciso envolve diversos fatores.

